sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

POESIA: AMOR DE CARNAVAL


Amor de Carnaval

Colocou sua máscara para esconder sua dor.
Fechou o zíper do coração para cessar o pranto.
Chorou o choro do cavaco.
E cavucou-se por dentro.
Queria bailar como a passista, mas sua tristeza era de concreto.
Viu toda a festa e festejou sua tristeza.
Era um Pierrot de verdade.
Perdido numa multidão de alegria.

Queria lhe falar alguma coisa, mas seus movimentos eram muito bruscos
Porque brincava demais e não se deixava tocar.
Deixou tocado somente minha vontade estática.
De falar que talvez existisse amor.
E que só daquela vez venceria a tristeza.
Pois ela andava lado-a-lado comigo, mas talvez tenha se distraído com a bateria.
E se esquecido de me lembrar que não se permitia.
Talvez tivesse existido um amor de carnaval.

Mas a música terminou, o bloco foi embora você se foi e eu não falei.
A festa acabou de novo.
A escola passou e eu fiquei.
O confete morreu nos braços da serpentina.
E a água da chuva correu e limpou.
Qualquer traço de amor. Sim era amor. Foi amor.
Quando vou te ver de novo? No outro Carnaval? 
Preciso de você, pois meu samba morreu.
 

CRÔNICA DE CARNAVAL


Começa hoje a maior festa popular do mundo e, por mais que os contrários a folia de Momo se esperneiem, é sim a maior festa e sim, a maior festa popular do mundo. Por mais que tenham tentado transformar o Carnaval numa festa elitista com transmissão de TV, não conseguiram. A festa é nossa, é comemoramos onde e quando quisermos, sejamos ricos ou pobres.

De fato todo mundo no Brasil "comemora" o Carnaval, pois é só nesta data que temos 4/5 dias consecutivos de descanso e podemos fazer o que quiser da vida. O que cada um vai fazer compete a cada um, mas sempre há um Q de felicidade nisso. Quem disse que descansar não te deixa feliz? A mim sim!

Pra galera que vai cair na gandaia ficam as opções: Você pode estar no camarote, na pipoca, no bloco ou na escola, você pode estar em qualquer lugar, porque todos os corações estão sintonizados numa grande alegria. Nem nos lembre dos excessos. Excesso é uma palavra feia, que não combina com Carnaval. Deixe o lado ruim que é cinza para a quarta-feira.... de cinza. 

Então vá pro seu Carnaval, ou para a sua roça, para a sua igreja, para a sua maratona de filmes antigos... Mas vá se feliz. Por mais que tentem provar o contrário essa data é de festa, é de todos, e é de graça!

VOTOS E VOTOS



     Voto da ministra Rosa Weber praticamente definiu o julgamento, uma vez que 
           a posição dos outros cinco ministros favoravelmente à aprovação da 
                                       Ficha Limpa já era conhecida

O Supremo Tribunal Federal em decisão inédita e histórica julgou por 7 votos a 4 como legitima a lei da Ficha Limpa, ou seja, aquele politico que estiver respondendo qualquer ação na esfera executiva, legislativa, judiciária ou de conselhos advocatícios ou medicos está 100% impedido de se candidatar. Em suma: Pela primeira vez não teremos corruptos safados concorrendo nas eleições.

Bato palmas calorosamente a todos que participaram de tal momento que deveria ser mais exposto na mídia até como forma de valorizar nosso povo e nossos políticos e tentar tirar de uma vez por todas a impressão de que "todo político é corrupto" o que é uma inverdade.

Se valorizo por um lado, lamento por outro. É uma pena que o poder público tenha que entrar em ação para impedir o povo em votar em bandidos e não que isso fosse uma prática nossa, natural, que independesse de tais leis. Mas, ao contrário, não temos hábito de investigar nossos políticos e sequer sabemos em quem votamos uma semana depois de termos "exercido a democracia". 

O engraçado (e triste) é que o brasileiro se mobiliza, investiga, julga e vota conscientemente em seu candidato preferido no Big Brother. Ou torcidas organizadas investigam se o jogador de seu time está na balada, pois se estiver, poderá não render em campo. Porque falta essa consciência nossa na política se demonstramos por A mais B que somos bons investigadores e juízes? Até quando dependeremos do poder público para não erramos? Afinal quando vocês acham que o governo vai fazer um negócio legal como esse denovo?

Ah deixa pra lá! É carnaval, o Flamengo vai jogar, a novela das seis está acabando... Temos coisas mais importantes para nos preocupar.

VAMOS PEGAR O DRAGÃO


Carnavalzão chegando e a Skol em polvorosa para o período de maior venda de sua cerveja. Dentre as várias propagandas, que tinha como mote fazer os adeptos da bebida enfrentarem situações plenamente adversas (como ir ao inferno ou pular de um avião sem para-quedas), uma me chamou atenção. Trata-se de uma propaganda em que três amigos vêem uma caixa de cerveja na boca de um dragão cuspidor de fogo. Aos gritos para "salvar" a cerveja um deles diz "vamos pegar o dragão". Nenhum problema, se não fosse pela ideia original (estou sendo bem irônico aqui) da empresa que bolou a propaganda, de colocar uma mulher feia "assustada" com a possibilidade dela ser o dragão a ser pego em questão (foto acima).

Fico pensando onde estão as comissões governamentais que tanto pegaram no pé na propaganda da Gisele Bundchen de lingerie e que acharam que aquilo era "a degradação feminina" e a "apologia a mulher como objeto sexual" que nada faz agora nesta propaganda que, na minha opinião, ofende muito mais as mulheres.

Dona Iriny Lopes, lider de tal comissão, mulher, e dragão, devia ser a primeira a se impor e impedir tal alusão desnecessária e deselegante (momento Sandra Annenberg) da empresa. Alias não é de hoje que as agências publicitárias insistem em um chavão comercial manjado e chulo em que camaradas saem de suas casas (onde talvez deixam suas esposas e filhos) e pedem uma cerveja num bar. Neste momento, quase que por mágica, uma loira gostosa (loira pressupõe-se em alusão a cor da bebida) vem e lhe dá mole. Em suma: Tome cerveja que uma loira gostosa vai querer te dar.

Isso é a degradação feminina, isto é o machismo em mais elevado grau.  E o que é feito? Nada! Quando a mulher usa sua sensualidade (caso da propaganda da Bundchen) não pode, mas quando são os homens que usam as mulheres como objeto pode. Queria entender... Ou se é enjoado com tudo, ou com nada, decida Dona Iriny Lopes. Vamos pegar o dragão... 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

VOCÊ NÃO ERA LUZ, NEM RAIO, NEM ESTRELA E NEM LUAR


O Brasil tem o hábito de “santificar” os mortos. Tenho pra mim que no dia que o Sarney morrer (lá para 2062 dado sua longevidade) todo mundo vai dizer que ele era legal, honesto, e que aquele bigodinho era sexy no último.  Porque digo isso? Morreu na semana passada o Wando. Cantor popular até o último fio do imenso beiço que tinha e que, num piscar e não abrir mais de olhos, virou cult, pop e legal.

Então. Wando era um cara que tinha limitações artísticas, nunca foi gênio e sua música (apesar de engraçada às vezes) era ruim. Mas bastou morrer para ganhar N artigos, crônicas e textos enaltecendo sua obra “inovadora, popular, romântica e atemporal”. O mais estranho era que, quando estava vivo, a música do Wando era uma bosta, mas bastou morrer para virar “ouvivel”. Quer coisa mais estranha ainda? Teve pseudo-intelectuais (ah como tenha raiva desses...) que ficaram bravinhos pelo Wando não ter tido o reconhecimento de sua “genialidade” enquanto de corpo presente em nosso planeta.

Sabe por que o Wando não foi reconhecido como um artista de valor? Porque ele não era um artista de valor. Podia ser um cara legal, gente fina, boa gente e talz, mas grande artista nunca foi. Por isso Wando nunca foi luz, nem raio, nem estrela e nem luar, ele era um cantor ruim, um letrista pobre e uma artista medíocre. Descanse em paz camarada, mas isso não vai fazer você ser bonzão. Para de hipocrisias meu Brasil.

Abaixo vídeo feito pelo Fantástico(?) com a complexa música “Fogo e paixão" (meu iaiá meu ioiô) cantado pela Pitty(?), Seu Jorge(?), Diogo Nogueira(?) entre outros. Aguardo ansiosamente as homenagens a MC Créu quando de sua morte, fico super curioso pra ver Cauby cantando “Velocidade 5”. Não que esteja desejando a morte de MC Créu, que dizer, estou sim.




AMY WINEHOUSE MORREU! OPS ERA A WHITNEY

Você artista que tem o nome começado pela letra W abra o seu olho, pois a morte parece que tem o abecedário começado de trás para frente hein! Morreu no sábado a Whitney Houston uma espécie de Amy Winehouse mais velha e menos famosa (pelo menos nos tempo atuais).

Whitney teve seus momentos Amy, ops, quer dizer, seus momentos com drogas nos anos 90/2000 motivada pelo marido Bobby Brown usuário assumido de substâncias ilícitas. Decadente, a artista que nunca foi lá essa sumidade toda (mas que depois de morta virou aquele monstro de talento, mostrando que essa babação de ovo post-mortem não é só demérito de brasileiro) vivia da sombra daquilo que foi, em especial em 1992, época do chatíssimo filme O guarda-costas com o péssimo Kevin Costner que fez um puta sucesso. I will always love you, uma música que tem, exagerando, três ou quatro frases em que a cantora aparece gritando o refrão repetidas vezes fez parte do quarto álbum mais vendido da história. Méritos para a cantora, mas...

Qual o nome de outro álbum de Houston você se lembra? Não, não, melhor, qual outra música de Whitney você se lembra? Nenhuma né? Ela não era essa sumidade gente. E morreu graças às benditas das drogas (apesar de se dizer limpa nos últimos tempos). Traços de álcool e de tranquilizantes foram encontrados em seu organismo. Ou seja, podia estar limpa de cocaína, mas as sombras das drogas a atormentavam e a faziam buscar outros artifícios para fugir dessa merda.

Escutem Tio Sandro galera, droga é uma merda e te persegue pelo resto de sua vida, esteja você limpo ou “sujo”. Ah! E a Whitney foi boazinha, mas não era a última bolacha do pote. And........................................................................................................... I will always love youuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.........

AS MENTIRAS QUE TODOS CONTAM


Sim, os homens têm contado muitas mentiras, e as mulheres também! E o que é pior: Estão creditando as mentiras a outras pessoas. O Facebook é a ferramenta virtual do momento e é a rede social que tem feito mais sucesso aqui pelas bandas de Michel Teló. Legal!

Contudo em meio a um monte de coisas legais o Face trouxe um mau hábito – que já vinha de tempos – para o seu dia a dia. Trata-se de textos creditados a autores que não o fizeram. Chegaria a ser engraçado se não fosse trágico.

O triste aqui é perceber que o brasileiro tem o péssimo hábito de buscar o mais simples, prático e fácil. Quer fazer uma média com seus contatos de Face e postar alguma coisa que ache maneiro, contudo não tem a menor preocupação – e conhecimento – para saber se, de fato, aquilo que está sendo creditado a determinado autor é realmente dele.

Daí vemos Luís Fernando Verissimo falando mal do BBB, Drummond pedindo para você sair da internet, Dr. House aconselhando você a ser feliz e por aí vai... Queria saber quem perde tempo criando frases de auto-ajuda (ou seria copiando do meu “ídolo” Augusto Cury?), copiando, colando em algum tipo de word art, escolhendo a quem creditar a frase... Quanta perda de tempo né? Tudo para ver sua frase circular pelas redes sociais e ter seus 15 minutos (ou três “roladas” do mouse) de fama.

Com isso a prática que antes do Facebook se restringia a e mails agora é de acesso coletivo. Ou seja, textos ou frases pobres podem ser definitivamente creditados a algum autor que, cá entre nós, deverá ter vergonha de ver seu rosto exposto junto a alguma frase de qualidade duvidosa. Isso é a propagação da ignorância, da falta de vontade e da irresponsabilidade cultural e deve ser cerceado o quanto antes.

Se você acha que sua frase é boa e tem impacto não precisa por o rosto de ninguém conhecido para lhe dar crédito. E se tem o hábito de por essas figuras em seu Facebook busque saber antes de quem se trata e se o autor de fato disse ou escreveu aquilo, tá bom?

P.S. 1 Esse texto é de Luís Fernando Veríssimo.
P.S. 2 É mentira. Era só para dar mais crédito ao meu texto.

CRÔNICA - ODE AO ERRO


Quem nunca errou que atire a primeira pedra. O erro é uma coisa nata do ser humano. Erramos o tempo todo, por tudo, ou por nada também. É do homem (raça e não gênero). Então porque insistimos tanto em buscar – e cobrar – perfeição de nós mesmos? Fazemos, desculpe o termo, cagada o tempo todo. Errar é um ato inocente. Quando erramos não temos o intuito de ferir ninguém, a coisa simplesmente acontece e, quando vemos, já estamos tomados pela situação toda. Daí é um turbilhão de reclamações, brigas, puxões de orelha... Duvido que alguém goste disso. Por isso que reitero que o erro é um ato involuntário, inocente, bobo, e que não quer agredir ninguém (principalmente a nós mesmos). 

Que fique claro que essa crônica é uma ode ao erro involuntário. Sim amigos, existe o erro premeditado, aquele ato que sabemos que irá afetar alguém, mas ainda assim fazemos. Há ainda o erro continuado, que também é grave. Esses erros são abomináveis e devem sim ser repreendidos. O erro aceitável, digamos assim, é aquele que acontece por acaso sem que nos demos conta.  Por isso não se sinta (muito) culpado se se atráido pela sua secretária gostosa, se não devolveu o troco a mais recebido, se flertou com aquele cara bonito no ônibus mesmo sendo casada... Essas coisas acontecem, são cagadas é bem verdade, mas acontecem. Erros. Simplesmente.

O erro nos agrega muito mais coisas do que os acertos, uma vez que errar nos aponta o caminho correto, nos guia por onde deveríamos ter ido, nos diz o que deveríamos ter evitado. O acerto nos deixa senhores de si, nos tira limites, nos deixa sem delimitações. Uma pessoa perfeita se torna, com isso, fruto de uma perspectiva de vida, ser humano que deixa de viver em prol de um modelo. Cá entre nós, quem quer um senhor (a) perfeitinho (a) ao seu lado? Eu não quero. O erro pode unir, o erro pode ser engraçado... O erro é o inesperado que faz a roda dos relacionamentos rodarem. Se você não se sente tentado a nada e não erra, legal, só fique esperto para não cair no erro da soberba. 

Contudo uma coisa: O fato de sermos bichos errantes não nos exime de nada. As consequências devem ser arcadas e ponto final. A questão é a eterna busca por uma excelência humana que nunca acontecerá, a mágoa pelo erro, a encheção de saco por causa de um lampejo, de um ato impensado. A gente erra o tempo todo. Não se martirize por errar e sim pelo erro cometido. Talvez tenha sido um erro escrever essa crônica, mas juro que foi um erro involuntário.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

VIAGEM AO FUNDO DO MEU EU


Vou com a cara no vento.
Voou com a cara no vento.
Navego por mares desconhecidos dentro de mim.
Tudo para chegar aonde ninguém chegou.
Pra enfrentar dragões e monstros marinhos.
Tão mortais quanto imaginários.
Tão letais que me dão vida.
Me embrenho na floresta.
Caio na boca do lobo.
Não é lobo, é lobisomem.
Não, não, é só homem.
Opa, sou só eu.
Caído na terra do fogo.
Ressurgindo como Fênix adormecida.
Pra morrer em seus braços.
E teus, como laços, me salteiam.
Sem rodeio. Rodeio o frio.
Na neve branca como seus olhos.
Me procuro no meio da escuridão com olhos fechados.
E me encontro escondido em mim mesmo.
Chego aonde eu nunca cheguei.
Em mim.
Voou de cara no vento.
Até me perder pra ganhar você.